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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

O Capitalismo e a Religião

No bairro onde eu moro, percebi que há um número elevado de igrejas, uma católica e pelo menos doze ou treze evangélicas. Das evangélicas, três são presbiterianas, e uma batista. As demais, são igrejas que foram fundadas recentemente. Só na rua onde eu moro tem duas, uma em cada esquina.

Pois bem, não sou contra igrejas, pois vivemos numa democracia e todas as pessoas precisam e devem ter os seus espaços reservados para manifestarem as suas crenças, isso é uma premissa obvia de nossa constituição.

No entanto, percebo algo muito complicado no ar. já repararam o tanto de igrejas, que a cada dia floresce? Quantos estabelecimentos comerciais, barracões, cinemas, armazéns estão se transformando em templos religiosos?

O que mais me chama a atenção é que hoje qualquer pessoa pode abrir uma portinha, colocar um equipamento de som, púlpito, algumas cadeiras, arranjar uma bíblia e dizer meia dúzia de palavras bonitas, supostamente vindas de Deus, que ele terá ouvintes para ouvi-lo sempre, e até futuros membros que possam contribuir para a sua ¨obra¨.

Este que é o grande perigo. Vivemos um momento de caos total, onde os governos não nos representam como deveriam, o individualismo se arraigou, as pessoas conversam pouco umas com as outras, a violência é uma constante na vida das pessoas, famílias estão desestruturadas, pais que brigam com filhos, filhos que brigam com os pais, as drogas se tornaram um grande mau incontrolável, enfim vivemos ¨cada um no seu quadrado¨ sem se preocupar com o que virá.

As pessoas estão desesperadas por um pouco de calor humano, alivio para o seu sofrimento. Qual é o remédio? A religião. Se no século XX o remédio para resolver os problemas eram as drogas, o enfrentamento contra o que está ai, através de bandeiras libertarias, o século XXI, virou o século da fuga, ou seja, o século onde as pessoas procuram encontrar um abrigo para as suas frustrações. É exatamente isso que os malandros se aproveitam.

Como disse acima, hoje qualquer um pode montar uma igreja, pois não há fiscalização, não a cobranças de impostos, não precisa apresentar qualquer coisa na receita federal, os ¨ditos pastores¨ não precisam apresentar diplomas de teólogos, se a igreja for de caráter neo-pentecostal, enfim, o culto a Deus que antes era ¨coisa de careta¨ hoje virou moda, rende lucro e até tem espaço na Rede Globo de televisão e todos ficam felizes para sempre.

Isso é bom ou ruim? Eu não saberei dizer, o que eu sei é que isso está ficando incontrolável e muito chato, pois não se sabe até que ponto, uma igreja de ¨beira de esquina¨ ou um ¨grande templo¨ pode nos ajudar. Mais o que se percebe é que a religião se tornou banal, hoje qualquer um pode se intitular ¨servo de Deus¨ e explorar as outras pessoas até a ultima gota, em nome de uma ¨suposto alivio espiritual¨.

No século passado o capitalismo se apropriou do rosto de Che, símbolo da revolução armada e do socialismo, agora nesse século em que vivemos, ele se apropriou do símbolo Máximo da religião, Jesus Cristo.


Almir Escatambulo: É formado em Cienciais Sociais pela Universidade Estadual de Londrina, Secretario Geral do Centro de Direitos Humanos - CDH e Blogeiro do Jornal O Diario.

5 comentários:

Anônimo 19/01/12 15:11  

Não é atoa que os livros de auto-ajuda são os mais vendido.

Juliana 19/01/12 15:12  

Bar e igreja, toda esquina tem!

Anônimo 19/01/12 15:13  

Esses dias vi uma matéria na TV dizendo que bar, igreja e Lan hause são os empreendimentos que mais crescem nas comunidades carentes.

Anônimo 19/01/12 15:13  

Vai na igreja quem quer, niguém é obrigado ir; Doa seu dinheiro quem quer!!!

Anônimo 20/01/12 10:26  

É Tensoooooo

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Frase da vez